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Uma Educação Transformadora, Integrante, Humanizadora (MEPES 50 ANOS)


Celebrar um aniversário é envolver num só momento as dimensões do tempo: passado, presente e futuro, nos frutos do presente, que indicam celebração, olhar com profundidade a raiz e seiva do passado e tomar nas mãos as sementes do futuro.

 

O nosso MEPES, ao completar 50 anos, fez isto. Reuniu-se com os amigos, confraternizou, louvou ao Senhor, reviu seu passado, sonhou o seu futuro, comprometeu-se com seu amanhã sabendo, que é no hoje da caminhada, que se constrói a “terra boa”. O nosso futuro começou ontem e se adianta hoje quando cada mepiano amigo, colaborador, procura ser e construir o novo ser para o mundo novo.

 

Os cinquenta anos oportunizaram a festa da fraternidade: amigos que se juntaram para uma solene confraternização. Foi solene porque se realizou na profundidade da amizade e do encontro de pessoas imbuídas do desejo sincero do crescimento do ser humano – imagem e semelhança de Deus. Foi solene porque permitiu viver o diálogo entre pessoas e entidades e favoreceu a todos expressões sinceras de gratidão, alegria, reconhecimento a Deus e às pessoas.
Relatar essa história não é uma tarefa fácil, pois, existem muitas experiências vivenciadas pelas pessoas que contribuíram na construção desta história que hoje é, de todos nós, mas que não foram registradas, se perdendo ao longo da caminhada, tornando impossível de serem contadas em tão breve tempo.

 

A educação verdadeira deve ser um processo que ajuda a explicitar as riquezas as virtualidades do ser humano e a encontrar-se com a verdade de forma consciente, responsável, transformadora, consolidando a família.

 

A verdadeira educação colabora com o ser humano, para que ele não se transforme num cofre fechado de cultura, de sabedoria, mas que utilize os saberes que tem e que desenvolva em benefícios dos irmãos, para que também vivam a cultura da transformação, formando a verdadeira comunidade e desenvolvam de forma sustentável o meio, tornando o lugar onde vive, um ambiente agradável, caminhando para um futuro seguro e cada vez mais alimentado pelos valores que constroem a pessoa, a comunidade, aproximando-se cada vez mais do Reino de Deus. Assim pensava, Pe. Humberto Pietrogrande.

 

Ao celebrar esta data jubilosa é obvio que nos vem em primeiro lugar à lembrança a pessoa do seu fundador. Tudo foi feito com Deus, para Deus e por Deus! Pe. Humberto fez a opção evangélica trabalhando para que todos, se integrassem na promoção humana integral, não somente social, mas espiritual, fraterna, cultural e econômica.

 

Assim o MEPES trabalhou pelo agricultor do Estado do Espírito Santo (inicialmente Anchieta, Iconha, Piúma, Rio Novo do Sul, Alfredo Chaves, estendendo-se logo para o norte do Estado). E sempre cultivando a unidade na pluralidade de pessoas. Todos tinham vez e voz apesar da instituição, profissão, crença, engajamento político, lugar ocupado na sociedade.

 

Trouxe da Itália a bem-sucedida experiência da Escola Familia Agrícola (EFA) e foi também eficazmente ajudado pelos italianos, seus parentes e agricultores já promovidos. A Escola Família Agrícola tem uma filosofia prática e uma metodologia que realmente promove o indivíduo, a família, a comunidade e o meio, aperfeiçoando as características próprias de cada lugar, enriquecendo-as com novas propostas educacionais.

 

O regime de alternância levava o jovem a conviver com outros, combatendo o isolamento, formando bons hábitos que iam automaticamente repetindo na família, praticava e teorizava o que aprendia e sobretudo evitava e evasão escolar, facilitada pelas distâncias a percorrer sob o sol ou chuva, chegando à escola já meio desgastado. Além disto, a família tinha o estimulo da visita às famílias, que orientava o educando nos trabalhos que levava a desenvolver em casa.
A EFA se estendeu por todo o Estado do Espírito Santo e mesmo em outros Estados. Sendo necessário organizar o Centro de Formação de Monitores, com formação dadas por excelentes professores, alguns mesmos da Universidade de Vitória. E para alegria do MEPES e prova do seu sucesso, a maioria dos alunos eram agricultores formados nas EFAs.

 

Mas, o MEPES não ficou apenas na implantação das EFAs. Há 50 anos atrás o meio rural não contava com creches, postos de saúde, hospital, vacinação de gestantes, dentre outros. O MEPES enfrentou também este problema, contando com ajuda de voluntários, que eram preparados e forma prática e teórica para estas atividades. Eram bem-feitas, porque praticadas com humanismo próprio da Instituição.

 

O MEPES não atuava sozinho. Teve forte ajuda das AES (Associação de Amigos do Espírito Santo), fundada na Itália pelos parentes e amigos do Pe. Humberto. Como AES ajudou!

Um ato de louvor ao Governo do Estado do Espirito Santo e às Prefeituras Municipais que acreditaram no Movimento. Governantes de todos os partidos sempre deram apoio às atividades do MEPES e tinham seus representantes na Junta Diretora.

 

Desejando unir as pessoas em torno da causa comum da promoção humana, o MEPES desenvolveu caloroso intercambio, entre pessoas, comunidades, famílias e até nações, destacando-se a Itália, a Argentina, Alemanha e França que, como dissemos, ajudaram também financeiramente o Movimento. Dentre as EFAs, houve-se a reunião (UNEFAB) da EFAs que já se encontravam em vários Estados.

 

Desta forma podemos dizer que o Estado do Espírito Santo com o trabalho do MEPES, é o berço da Pedagogia da Alternância. Do Espírito Santo esta proposta pedagógica se expandiu para as outras regiões do país, onde o MEPES teve seu papel fundamental neste processo de expansão, formando os monitores de outros estados, fornecendo materiais didáticos e orientações pedagógicas às equipes das Escolas Família Agrícola em sua fase de implantação.
O MEPES continua contribuindo pedagogicamente e sendo referência para as Escolas Família Agrícola do Brasil.

 

Como podemos ver a importância do trabalho do MEPES na Educação do Campo com a Pedagogia da Alternância foi gigantesca e hoje o Brasil pode contar com esta Pedagogia para os programas de Educação do Campo, em grande parte deve-se esse fato ao MEPES. O trabalho do MEPES não foi supostamente apenas na consolidação da proposta e expansão da mesma no Espírito Santo e Brasil, mas também para o desenvolvimento de outras modalidades de educação em alternância, seja pela via comunitária, seja pela via pública, como também vem sendo utilizada com sucesso em projetos e programas de Educação do Campo de vários movimentos sociais, mas também pelo poder público.

 

Em seus 50 anos de atuação, o MEPES presta relevante contribuição para a educação dos jovens do campo. Ao longo deste tempo formou milhares de jovens, onde cerca de 80% optaram em continuar no espaço rural dando continuidade aos projetos de suas famílias ou atuando como profissional em diferentes setores do campo.

 

O MEPES contribuiu e continua contribuindo com a educação e desenvolvimento do campo do Estado do Espírito Santo. Hoje pode-se dizer que o Estado do Espírito Santo ocupa um lugar de destaque nacional nos programas de Educação do Campo, onde a Pedagogia da Alternância tem sido o carro chefe deste processo e passa a ser de domínio também do Estado e de outros setores da sociedade.

 

Acredito que não se poderá escrever a história recente do Estado do Espirito Santo sem um especial destaque para o MEPES. Agradeçamos a Deus, pois, tudo foi feito por Ele.

 

Agradeçamos ao Pe. Humberto que viveu plenamente o seu lema sacerdotal: que todos tenham vida e vida plenamente.

 

Agradeçamos aos colaboradores de ontem e de hoje!

 

Agradeçamos os ex-alunos que foram promovidos pelo MEPES, que continuaram levando avante o Movimento com muita responsabilidade. Foi um fruto maravilhoso, pois, além de promover os jovens do campo, transformaram e transformam o meio rural! Agradeçamos porque o MEPES é um movimento que veio para ficar, para aumentar sua intensidade, seus valores humanos – cristãos.

 

Agradeçamos o privilégio de participar das realizações do MEPES fazendo dos sentimentos deste texto anônimo os nossos próprios pensamentos e orações: e que é o próprio retrato do
MEPES.

 

Idalgizo José Monequi
Superintendente Geral

 

Amélia Siller
Presidente da Junta Diretora

 

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